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Conteúdo atualizado em 19.03.2020


Pesquisa sobre tabagismo e voz no campus

Luís Victorelli
27/09/2012

Pesquisa sobre tabagismo e voz no campus

A prevalência de tabagismo e seu impacto na voz da população do campus de Bauru da Universidade de São Paulo (USP) foi o tema de uma pesquisa desenvolvida pela enfermeira Gianne Cerqueira Leite Rodrigues Morais. A ideia surgiu da constatação de uma alta frequência de doenças crônicas em fumantes usuários da Unidade Básica de Saúde da USP de Bauru e da ausência de dados a respeito desta questão de saúde pública no campus.

A pesquisa revela que o nível de instrução foi um fator significativo tanto na prevalência quanto na dependência à nicotina, mesmo estando num ambiente universitário. “Nossos resultados se assemelham aos dados nacionais”, diz Gianne, que é chefe de seção Técnica da Unidade Básica de Assistência à Saúde do campus.

A enfermeira informa que o ambiente universitário é o lugar ideal para o início e continuidade de um programa de prevenção e cessação do tabagismo. “Há um projeto de estabelecermos inicialmente uma comissão para ações e prevenção do tabagismo no campus de Bauru e implantarmos na Unidade Básica de Saúde do campus um programa de cessação para os fumantes usuários deste serviço”, adianta.

O estudo faz parte da dissertação de Mestrado da enfermeira e foi apresentado à Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (FOB-USP) para obtenção do título de Mestre em Ciências no Programa de Fonoaudiologia.  A orientação foi do professor José Roberto Pereira Lauris. A apresentação, defesa e aprovação da dissertação aconteceu no dia 27 de julho deste ano com a participação das professoras Alcione Ghedini Brasolotto e Maria Irene Bachega.

Resumo da pesquisa


O combate à epidemia do tabagismo é prioridade estabelecida pela Organização Mundial de Saúde. Objetivou-se estabelecer a prevalência do tabagismo e seu efeito na voz dos servidores e alunos do campus de Bauru da Universidade de São Paulo. Através da aplicação de um questionário autoexplicativo foram avaliadas as características sociodemográficas, saúde geral, voz, e comportamento em relação ao tabagismo.

Avaliou-se a prevalência do hábito, o grau de dependência à nicotina (Teste de Fagerstrom) e a motivação para interrupção do hábito (Teste de Richmond). O índice de resposta obtido foi de 62,8%, ou seja, 628 respondentes. A maioria dos entrevistados era do sexo feminino (74,5%), com idade entre 18 e 29 anos (46,2%) e com grau de instrução até o ensino médio (57,8%). O percentual de alunos fumantes (4,1%) foi significativamente menor comparado aos valores observados para funcionários (p<0,001).

A prevalência de tabagistas no campus USP/ Bauru foi de 10,5%, sendo significativamente maior entre o sexo masculino (15,0%), entre os indivíduos com mais de 50 anos (26,3%) e entre funcionários com menor nível de instrução ou menos anos de estudo (52,0%). O percentual de indivíduos com alto grau de dependência à nicotina foi significativamente mais elevado entre os tabagistas com menor nível de instrução ou menos anos de estudo (23,1%).

A motivação para interromper o hábito de fumar não diferiu entre os grupos, sendo considerada baixa para a maioria dos fumantes (48,5%). Entre os fumantes houve maior incidência de queixas relacionadas à voz. As sensações e sintomas vocais e laringofaríngeos relatados com maior frequência foram tosse seca, tosse com catarro, pigarro, secreção na garganta, garganta seca e rouquidão.

O percentual de satisfação com a própria voz foi 93% em ambos os grupos. Com relação aos cuidados com a voz, 54,3% da amostra havia recebido orientações prévias sobre o assunto. Os fumantes relataram maior prevalência de doenças crônicas e problemas emocionais.

Proposta para o campus

Os dados de prevalência e o perfil dos tabagistas disponibilizados podem subsidiar a implantação de programa de prevenção e cessação do tabagismo no campus USP/Bauru. Hoje existem vários métodos propostos na literatura com o objetivo de dar suporte às pessoas que queiram deixar de fumar. O estabelecimento de campanhas preventivas e o treinamento dos profissionais da saúde que atuam na atenção primária são os elos iniciais para motivação dos tabagistas a procurarem ajuda para interromper o vício e o ponto de partida para a inclusão dos fumantes em programas especializados para cessação.

Os programas de cessação mais documentados são estruturados com base na atuação de equipe multiprofissional associando a abordagem cognitivo comportamental intensiva à terapia farmacológica. Em suma, as informações coletadas neste estudo reforçam a iniciativa de ações antitabagismo dentro do campus USP/Bauru. Abordagens multidisciplinares, envolvendo gestores, médicos, odontólogos, fonoaudiólogos e enfermeiros são passíveis de serem executadas e direcionadas aos profissionais e acadêmicos do campus, tornando esta unidade da USP um local livre de tabaco.

Banca Examinadora (foto da esq. para dir.):
Profª Drª Alcione Ghedini Brasolotto,  Prof. Dr. José Roberto Pereira Lauris, Enfª Ms. Gianne Cerqueira Leite Rodrigues Morais e Dra. Maria Irene Bachega.

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