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Conteúdo atualizado em 19.03.2020


Pesquisa da FOB premiada em congresso internacional

Marianne Ramalho, Assessoria de Comunicação da CCB/USP
12/04/2011

Pesquisa da FOB premiada em congresso internacional

Um trabalho de pesquisa desenvolvido na Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da Universidade de São Paulo (USP) recebeu em março o “IADR Prêmio Colgate de Pesquisa em Prevenção” durante o congresso da IADR – International Associaton for Dental Research (Associação Internacional de Pesquisa Odontológica).


O título do trabalho é "Inibidores de metaloproteinases da matriz: novas perspectivas para prevenir erosão dentinária" e tem como autores: Melissa Thiemi Kato (pesquisadora principal e aluna de doutorado da FOB), Angélica Reis Hannas (co-autora e pós-doutora do Laboratório de Bioquímica da FOB) e a orientadora, Marília Afonso Rabelo Buzalaf, chefe do Departamento de Ciências Biológicas da FOB/USP.


A pesquisa financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) foi premiada durante o Congresso da IADR realizado em 18 de março, em San Diego, na Califórnia, nos Estados Unidos.


Esta pesquisa ganhou o primeiro lugar no concurso V Prêmio SAÚDE! categoria Saúde Bucal, promovido pela Editora Abril, com premiação realizada em novembro de 2010, no Memorial da América Latina, em São Paulo.


Tendo em vista a qualidade deste trabalho em 2011 ele obtém reconhecimento internacional com prêmio concedido pela Colgate Palmolive Company para a pesquisadora principal, Melissa Thiemi Kato, que também foi contemplada com US$ 2.000 mil dólares e placa de homenagem recebida durante solenidade no evento da IADR.


Segundo a pesquisadora, a erosão dentária é definida como a perda de tecido dentário duro induzida por ácido de origem não bacteriana. Investigações epidemiológicas têm relatado um aumento na prevalência de erosão dentária nos últimos anos para pacientes de todos os grupos de idade.


Portanto, medidas preventivas contra erosão são requeridas, mas até o momento não existe um protocolo padrão que poderia ser recomendado para a prevenção do desgaste erosivo.


Este trabalho faz parte da tese de Thiemi Kato, aluna de doutorado em Biologia Oral, orientada pela professora Marília Afonso  Rabelo Buzalaf. No caso, o trabalho representava o estudo piloto da tese de doutorado, realizado com bochecho de chá verde comercial na prevenção contra a erosão de dentina.


A partir deste estudo piloto, foi desenvolvido um gel de aplicação tópica, contendo o princípio ativo do chá verde (EGCG), considerado um inibidor natural de metaloproteinase de matriz (MMP).


Segundo Thiemi Kato foram testados mais dois inibidores de MMP,  a clorexidina e o sulfato ferroso na prevenção contra a erosão associada ou não à abrasão por escovação. A pesquisadora afirma que o trabalho é inovador, por ser o primeiro a descrever uma metodologia capaz de prevenir a erosão de dentina.


A inovação baseia-se no fato de se utilizar inibidores de MMP. As MMPs são enzimas capazes de degradar a maioria dos componentes orgânicos, sendo que na dentina estão envolvidas as MMPs -2 e -9 responsáveis pela degradação de colágeno presente nos dentes.


Após um desafio erosivo, provocado por um ácido de origem não bacteriana, por exemplo, o refrigerante, a dentina sofre desmineralização deixando exposta uma camada rica em colágeno e altamente susceptível à degradação pelas MMPs.


Além disso, sabe-se que essa camada orgânica, rica em colágeno, pode servir como barreira mecânica e difusora dos ácidos que provocam a erosão. Sendo assim, a hipótese era que se fossem utilizados inibidores de MMPs na tentativa de preservar a camada orgânica da dentina exposta pelo ácido, seria viável prevenir a progressão da erosão.


Outra condição avaliada na pesquisa foi o desgaste da dentina provocada pela abrasão por escovação, a qual foi associada à erosão. A erosão deixa uma superfície sujeita à remoção mecânica, no caso, a escovação. Portanto, foram avaliadas a prevenção da erosão associada ou não à abrasão.

Foto: Marsha Butler (executiva da Colgate e responsável pelo Prêmio Colgate de Pesquisa em Prevenção), Melissa Thiemi Kato (doutoranda em Biologia Oral pela FOB/USP) e professora doutora Maria Fidela de Lima Navarro (presidente da IADR)

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