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Conteúdo atualizado em 19.03.2020


Pesquisador holandês inicia estudo mundial na FOB

Luís Victorelli
30/07/2012

Pesquisador holandês inicia estudo mundial na FOB

Uma equipe com os mais renomados especialistas mundiais em pesquisas sobre o Tratamento Restaurador Atraumático (ART, sigla em inglês), inclusive o criador da técnica, o professor holandês Jo E. Frencken, reuniu-se na Faculdade de Odontologia de Bauru da Universidade de São Paulo (FOB-USP) para elaborar as diretrizes de uma pesquisa internacional sobre o tema.

A técnica resume-se no tratamento da cárie sem o uso dos tradicionais, e temidos, motorzinhos.  É indicada para crianças, idosos, pessoas acamadas, grávidas, e, claro, muitos marmanjos com medo das técnicas convencionais de restauração dentária, entre outros.

Além de Frencken, da Radboud Universiteit Nijmegen, Holanda, participaram da reunião em Bauru, de 26 a 28 de julho, as pesquisadoras Rita Villena Sarmiento, da Universidade San Martin de Porres, Lima, Peru; Soraya Coelho Leal, da Universidade de Brasília (UnB) e Maria Fidela de Lima Navarro, Maria Teresa Atta, Heitor Marques Honório  e Daniela Rios, professores da FOB-USP . Também integra o grupo o pesquisador argentino Gustavo Molina, da Universidade de Córdoba, que não participou desta visita.

A professora Fidela, responsável pela formação do grupo que já vinha individualmente trabalhando na área, ressalta que a união dos pesquisadores pode levar a importantes ganhos para a pesquisa e para a prática odontológica, no dia-a-dia dos consultórios. Fidela lembra que o tratamento atraumático  por ser um procedimento mais simplificado “ainda carrega um pouco de preconceito por parte de alguns profissionais”. A pesquisadora observa que atualmente a técnica encontra-se num estágio avançado de aperfeiçoamento e existem novos materiais disponíveis. Os pacientes, em sua maioria, ainda desconhecem a modalidade.

Influência brasileira


O Peru, que trocou a influência americana pela brasileira na formação odontológica, tem na sua representante, Rita Villena Sarmiento, uma defensora da universidade como parceira na popularização da técnica: “Precisam trabalhar com a inclusão curricular e o treinamento adequado”, diz. “É uma técnica simples, o que não significa que seja menos eficiente. É preciso conhecimento, aprimoramento e habilidade. A simplicidade não pode levar à improvisação” alerta Soraya Coelho Leal. A possível inexistência de consultório, clínica ou mesmo de energia elétrica não impede a realização da ART.

Os pesquisadores informam que a técnica consiste em dois componentes: preventivo e restaurador. O termo “tratamento restaurador atraumático” foi escolhido depois da avaliação do primeiro estudo sobre a técnica. Durante essa avaliação ficou evidente que as crianças que receberam  a ART participaram de maneira mais cooperativa e felizes do que aquelas que receberam o tratamento convencional. “Muitas das pessoas que receberam o tratamento convencional fugiram ao ver os profissionais, pensando que seriam submetidas a novos procedimentos restauradores”, relata Frencken em seu artigo “Potencialização do Tratamento RetauradorAtraumático”, de autoria conjunta com Soraya Coelho Leal e Maria Fidela de Lima Navarro.

Além de prático, porque é menos invasivo, rápido e não requer sofisticados recursos tecnológicos, a  ART tem a seu favor um outro e importante aliado, o fator psicológico. Frencken informa que a técnica é indicada para dentes cariados sem grande extensão, sem dor contínua ou comprometimento da polpa. Para lesões de cárie dental de grande complexidade, dores fortes, restauração já existente e suspeita de comprometimento do canal  essa técnica não é recomendada. Esse estudo multicêntrico deve ser iniciado ainda este ano.

Foto: Pesquisadores Rita Villena Sarmiento (Peru), Jo E. Frencken (Holanda), Soraya Coelho Leal (UnB) e Maria Fidela de Lima Navarro (FOB-USP). Crédito: Kazuo Kato.

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